domingo, 21 de julho de 2013

Ativista LGBT, garoto não suporta bullying na escola e tira a própria vida


Carlos Vigil tinha 17 anos e lutou até quando pode contra o bullying que sofria. Crédito: Reprodução do Twitter
Carlos Vigil tinha 17 anos e lutou até quando pode contra o bullying que sofria. Crédito: Reprodução do Twitter
Eu fico arrasado ao relatar histórias como essas. Mas é preciso. Até quando mortes de inocentes vão ocorrer para que a sociedade abra os olhos para a necessidade da criminalização da homofobia? Por que as pessoas não podem apenas tocar suas próprias vidas e respeitar o modo de ser de cada um.
Morador de Albuquerque, no estado do Novo México (EUA), o estudante Carlos Vigil faleceu na última terça-feira (16). Antes de tentar suicídio, no último sábado (13), o adolescente deixou um bilhete de despedida em redes sociais. “As crianças na escola estão certas, eu sou um perdedor, um anormal e uma bicha”.
Este seria seu último ano no colégio. Carlos já havia mudado de escola outras vezes para escapar do assédio que sofria. Tanto que o jovem se tornou um ativista incansável contra o bullying homofóbico. Recentemente, havia retornado da Carolina do Norte, onde foi apoiar uma nova legislação mais rígida contra o bullying. O problema é que não conseguia lidar com a pressão que ele próprio sofria em sua escola atual e acabou desistindo da luta e da vida.
Ao se despedir, Carlos deixou uma mensagem no Twitter se desculpando por não ser o que as pessoas esperavam. Confiram o bilhete, com tradução logo abaixo.
bilhete-gay“Peço desculpas àqueles que ofendi ao longo dos anos. Não posso ver que eu, como ser humano, dou asco. Sou uma pessoa que está fazendo uma injustiça com o mundo e é hora de partir. Por favor, nunca se sintam mal por mim nem chorem, porque tive uma oportunidade na vida e esta está se acabando. Sinto não ter sido capaz de amar a alguém ou ter alguém que me amasse. Creio que é o melhor, porque não desejo dor a ninguém. Os meninos da escola estão certos, sou um perdedor, uma abominação e uma bicha e de maneira alguma é aceitável que as pessoas tenham que lidar com isso. Eu sinto muito por não ser uma pessoa que pudesse fazer alguém se sentir orgulhoso.
Agora estou livre. Beijos e abraços,
Carlos”
Em entrevista à imprensa local, Ray Vigil, pai do rapaz, conta que tentou correr de volta para casa assim que leu a mensagem, mas não conseguiu chegar a tempo de salvar seu filho. O jovem foi mantido vivo artificialmente até a última terça-feira, quando finalmente os aparelhos foram desligados e seus órgãos foram doados, como era seu desejo.
A mãe de Carlos afirma que seu filho foi vítima de bullying homofóbico desde que tinha oito anos. O pai diz que a família percebeu o que estava acontecendo há três anos e estava tentando ajudá-lo de todas as maneiras desde então. “Carlos queria ser aceito por todos, quando só teria que aceitar a si mesmo”, comentou o pai.
A família de Carlos decidiu que manterá a conta dele no Twitter, para que sua história não morra. Vamos fazer com que a história de Carlos circule cada vez mais e sensibilize as pessoas para esse problema tão grave.

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