Com a legalização de casamento, Parada Gay de SP foca violência e “fundamentalistas”
Os participantes da 17ª Parada
do Orgulho LGBT de São Paulo, conhecida como Parada Gay, têm motivos
para comemorar e também se preocupar quando forem para a avenida
Paulista, região central de São Paulo, neste domingo (2). Nunca desde
sua primeira edição, em 1996, os homossexuais tiveram tantos direitos no
país quanto agora, com a legalização do casamento gay pelo CNJ
(Conselho Nacional de Justiça). Por outro lado, a violência homofóbica e
a escolha do pastor Marco Feliciano (PSC-SP), defensor da ‘cura gay’,
para presidir a CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara)
preocupam militantes.
“Com a decisão do CNJ, um casal
homossexual passa a ter os mesmos direitos de um par heterossexual em
relação à pensão, herança e adoção. É um avanço”, afirma Maria Berenice
Dias, advogada especialista em direito homoafetivo e vice-presidente do
IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito da Família), uma das
organizações responsáveis pelo pedido feito à Justiça para que emitisse a
resolução.
“Mas se por um lado o poder judiciário consegue avançar no campo dos
direitos, não existem leis que punam a homofobia. É uma omissão covarde
do legislador”, afirma Berenice. Os crimes homofóbicos seguem assolando a
comunidade gay: de acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia, um
dos mais antigos do Brasil, fundado em 1982, um homossexual é
assassinado a cada 28 horas no país.
Para Nelson Matias Pereira, diretor
institucional da APOLGBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT), “o
maior desafio ainda é a violência, que começa em casa e que está
institucionalizada na escola. A violência contra o LGBT não é só o
extremo, da agressão física, são todas as pequenas discriminações que
ele sofre ao longo da vida, desde a infância”.
Segundo relatório da secretaria de
Direitos Humanos da presidência, de janeiro a dezembro de 2011 foram
denunciadas 6.809 violações de direitos humanos contra homossexuais, com
278 homicídios registrados.
Pastor polêmico
A eleição de Marco
Feliciano, pastor da Igreja Assembleia de Deus há 14 anos, para presidir
a CDH foi outro fato marcante para a comunidade LGBT. Criticado por
entidades ligadas aos direitos humanos por acusações racistas e
homofóbicas, o deputado é defensor da ‘cura gay’ (desde 1990 a
Organização Mundial de Saúde não considera o homossexualismo uma
doença).
“O fundamentalismo evangélico é outro
grande problema, que coloca em risco não apenas as conquistas da
população LGBT mas as conquistas da democracia. É um perigo a todos.
Caminhamos para um grande retrocesso caso a sociedade não abra o olho”,
diz Pereira.
Feliciano afirmou que foi “mau
interpretado”, e que seu pensamento “reflete o da maioria dos
brasileiros, que não tem voz para falar”.
“A bancada evangélica esta tomando conta
do nosso Congresso Nacional. Eles são organizados e ocupam os espaços. É
um crescimento assustador. Eles se aliam com outras bancadas
conservadoras, como a ruralista e a católica, e impedem a aprovação de
projetos positivos para a comunidade LGBT”, afirma Berenice.
Um dos trios elétricos que participarão
do desfile da Parada do Orgulho LGBT deste ano terá protestos contra os
deputados federais Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), e o
pastor evangélico Silas Malafaia, além de outras pessoas que agem
contra os direitos dos homossexuais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário