O jovem diz que não houve excesso em sua conduta. "Foi um beijo normal, nada explícito, sem 'pegação' nem nada. Senti um cutucão no ombro e quando me virei já levei uma cotovelada no peito. O agressor tinha um crachá de funcionário da casa noturna", diz.
Leia mais
Na época, a 2ME divulgou um comunicado oficial que afirma que "o club não tem nenhum tipo de preconceito com seus clientes, sempre recebemos a todos independentemente de cor, credo ou orientação sexual. Todos são muito bem vindos no club". A nota diz que "o fato de sexta-feira (6 de abril) não tem qualquer conotação relativamente a opção sexual, como algumas pessoas tem conduzido o assunto, mas sim a uma situação gerada em razão da conduta inapropriada por um grupo de clientes, promovendo agitação, empurra-empurra e gerando incômodo em vários clientes."
Uma audiência de conciliação está marcada para agosto. André estuda processar a casa noturna pela agressão. Os seguranças estão em liberdade. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os funcionários.
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18.dez.2010
- O gerente de tecnologia da informação P.R., 32, foi agredido ao sair
da boate The Week, na Lapa, zona oeste de São Paulo. Espancado por dois
homens armados com pedaços de ferro, ele teve um osso do face quebrado,
além de ferimentos nos braços e na barriga. P.R. diz que conversava com
um amigo quando quatro homens saíram de dois veículos gritando: "Corre,
vamos matar vocês" Leia mais Silva Junior/Folhapress
Até o dia 6 de abril eu nunca tinha sido agredido, nem na escola. No máximo umas palmadas do meu pai quando criança. Eu também nunca tinha ido naquela casa noturna, a 2ME. Sabia que não era uma casa LGBT, apesar de ser frequentada por muitos gays. Conheci um jovem durante a balada, e certa hora ele me puxou de lado e me beijou.
Fiquei meio constrangido, sem jeito, porque sabia que era uma festa hetero. Mas pensando bem, é um espaço público né? Eu paguei para entrar, como qualquer um. Porque eu não poderia beijar quem quisesse?
Depois de um tempo esse menino veio se despedir de mim e nos beijamos novamente. Foi um beijo normal, nada explícito, sem 'pegação' nem nada. Senti um cutucão no ombro e quando me virei já levei uma cotovelada no peito. O agressor tinha um crachá de funcionário da casa noturna.
O funcionário me pegou pelo pescoço e começou a me levar para fora. Pensei "ok, vou sair". Eu tenho 1,65 metro, o segurança tinha 1,80. Eu estava todo curvado, com as mãos para cima indicando que eu não ia reagir, e com a cara virada para o chão.
Não consegui nem pagar a comanda. Meus amigos tentaram me acompanhar, mas foram barrados no caixa.
Do lado de fora da casa dois seguranças me arrastaram para um jardinzinho na lateral da boate. Eu ainda estava preso pelo pescoço com a cabeça abaixada quando levei a primeira joelhada no rosto.
Tentei proteger a cara, mas não consegui. Eles só queriam bater no meu rosto, era soco e joelhada. Eles gritavam "viadinho de merda". Quando eu me curvava muito, um deles levantava minha cara puxando meu cabelo para o outro bater. Eu gritava: "Pelo amor de Deus! Pelo amor de deus! O que vocês estão fazendo!?"
Um amigo meu conseguiu pagar a comanda e veio correndo me socorrer. Ouviu de um dos seguranças que eu "estava beijando outro homem lá dentro, isso não se faz".
Daniela Mercury defende prisão para homofóbicos
O que me deixa chateado são as justificativas de alguns políticos e dos donos da casa noturna e de muita gente da cidade: "Ah, ele estava pegando na genitália do outro jovem", ou então "ele teve comportamento inadequado". Parece que ninguém consegue admitir que foi um crime de homofobia.
Sei que não devo me importar com o que os outros pensam, mas é difícil. Muita gente trata isso como se fosse algo engraçado, o que me põe muito para baixo. Fiquei conhecido na cidade como "a bichinha que apanhou."
Mas muita gente se solidarizou comigo, gays disseram que já foram agredidos, mas não tiveram coragem de prestar queixa.
A comunidade LGBT aqui é muito desunida, não querem lutar por uma causa. Frequentam as baladas voltadas para esse público e se contentam em ficar nessa espécie de gueto. Eu mesmo nunca me preocupei com os direitos gays até agora. Acho o casamento gay sensacional, mas aqui um casal gay não pode nem andar de mãos dadas sem ser xingado ou agredido.
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Companheiras
se beijam durante "beijaço" em frente ao Congresso do Paraguai em
Assunção, capital do país, no Dia Internacional do Combate à Homofobia. A
organização Somosgay realizou o protesto para mostrar a discriminação
que os homossexuais sofrem, assim como transsexuais e bissexuais Leia mais Andrés Cristaldo/Efe
- André Barbosa antes e depois da agressão sofrida em boate de Balneário Camboriú (SC)
O jovem diz que não houve excesso em sua conduta. "Foi um beijo normal, nada explícito, sem 'pegação' nem nada. Senti um cutucão no ombro e quando me virei já levei uma cotovelada no peito. O agressor tinha um crachá de funcionário da casa noturna", diz.
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Na época, a 2ME divulgou um comunicado oficial que afirma que "o club não tem nenhum tipo de preconceito com seus clientes, sempre recebemos a todos independentemente de cor, credo ou orientação sexual. Todos são muito bem vindos no club". A nota diz que "o fato de sexta-feira (6 de abril) não tem qualquer conotação relativamente a opção sexual, como algumas pessoas tem conduzido o assunto, mas sim a uma situação gerada em razão da conduta inapropriada por um grupo de clientes, promovendo agitação, empurra-empurra e gerando incômodo em vários clientes."
Uma audiência de conciliação está marcada para agosto. André estuda processar a casa noturna pela agressão. Os seguranças estão em liberdade. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os funcionários.
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18.dez.2010
- O gerente de tecnologia da informação P.R., 32, foi agredido ao sair
da boate The Week, na Lapa, zona oeste de São Paulo. Espancado por dois
homens armados com pedaços de ferro, ele teve um osso do face quebrado,
além de ferimentos nos braços e na barriga. P.R. diz que conversava com
um amigo quando quatro homens saíram de dois veículos gritando: "Corre,
vamos matar vocês"
Até o dia 6 de abril eu nunca tinha sido agredido, nem na escola. No máximo umas palmadas do meu pai quando criança. Eu também nunca tinha ido naquela casa noturna, a 2ME. Sabia que não era uma casa LGBT, apesar de ser frequentada por muitos gays. Conheci um jovem durante a balada, e certa hora ele me puxou de lado e me beijou.
Fiquei meio constrangido, sem jeito, porque sabia que era uma festa hetero. Mas pensando bem, é um espaço público né? Eu paguei para entrar, como qualquer um. Porque eu não poderia beijar quem quisesse?
Depois de um tempo esse menino veio se despedir de mim e nos beijamos novamente. Foi um beijo normal, nada explícito, sem 'pegação' nem nada. Senti um cutucão no ombro e quando me virei já levei uma cotovelada no peito. O agressor tinha um crachá de funcionário da casa noturna.
O funcionário me pegou pelo pescoço e começou a me levar para fora. Pensei "ok, vou sair". Eu tenho 1,65 metro, o segurança tinha 1,80. Eu estava todo curvado, com as mãos para cima indicando que eu não ia reagir, e com a cara virada para o chão.
Não consegui nem pagar a comanda. Meus amigos tentaram me acompanhar, mas foram barrados no caixa.
Do lado de fora da casa dois seguranças me arrastaram para um jardinzinho na lateral da boate. Eu ainda estava preso pelo pescoço com a cabeça abaixada quando levei a primeira joelhada no rosto.
Tentei proteger a cara, mas não consegui. Eles só queriam bater no meu rosto, era soco e joelhada. Eles gritavam "viadinho de merda". Quando eu me curvava muito, um deles levantava minha cara puxando meu cabelo para o outro bater. Eu gritava: "Pelo amor de Deus! Pelo amor de deus! O que vocês estão fazendo!?"
Um amigo meu conseguiu pagar a comanda e veio correndo me socorrer. Ouviu de um dos seguranças que eu "estava beijando outro homem lá dentro, isso não se faz".
Daniela Mercury defende prisão para homofóbicos
O que me deixa chateado são as justificativas de alguns políticos e dos donos da casa noturna e de muita gente da cidade: "Ah, ele estava pegando na genitália do outro jovem", ou então "ele teve comportamento inadequado". Parece que ninguém consegue admitir que foi um crime de homofobia.
Sei que não devo me importar com o que os outros pensam, mas é difícil. Muita gente trata isso como se fosse algo engraçado, o que me põe muito para baixo. Fiquei conhecido na cidade como "a bichinha que apanhou."
Mas muita gente se solidarizou comigo, gays disseram que já foram agredidos, mas não tiveram coragem de prestar queixa.
A comunidade LGBT aqui é muito desunida, não querem lutar por uma causa. Frequentam as baladas voltadas para esse público e se contentam em ficar nessa espécie de gueto. Eu mesmo nunca me preocupei com os direitos gays até agora. Acho o casamento gay sensacional, mas aqui um casal gay não pode nem andar de mãos dadas sem ser xingado ou agredido.
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Companheiras
se beijam durante "beijaço" em frente ao Congresso do Paraguai em
Assunção, capital do país, no Dia Internacional do Combate à Homofobia. A
organização Somosgay realizou o protesto para mostrar a discriminação
que os homossexuais sofrem, assim como transsexuais e bissexuais Leia mais Andrés Cristaldo/Efe

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